Arteterapia e Artesanato
ppor Flávia Hargreaves
[9/12/25]
No primeiro texto desta série, refletimos sobre o risco de definir a Arteterapia por meio de negações – "Não é artesanato", "Não é aula de artes", etc. Neste segundo artigo, vamos inverter essa lógica! Chegou a hora de descobrir como dizer SIM para o artesanato em nossa prática, mantendo a clareza de objetivos.
A atitude de negá-lo surge, muitas vezes, do medo de que o trabalho do arteterapeuta seja confundido com uma atividade manual, repetitiva e focada exclusivamente no produto. É importante ressaltar que algumas práticas com valor terapêutico por promoverem bem-estar, como por exemplo um grupo de bordado, são oferecidas como sendo Arteterapia, quando nem sequer são conduzidas por um profissional da área.
Contudo, ao traçar essa fronteira de forma rígida, corremos o risco de ignorar o profundo valor terapêutico inerente ao fazer artesanal. Da mesma forma que é vital estabelecer as diferenças de objetivo e de qualificação profissional, é preciso reconhecer e acolher as contribuições desta área para a Arteterapia.
Ao mudar a perspectiva, a inserção de práticas artesanais como bordado, customização de caixas, feitura de bonecas de pano, entre outras, em sessões de Arteterapia não transformam o arteterapeuta em artesão, cuja produção tem um padrão para atender sua demanda comercial. Ambos podem forrar uma caixa de MDF usando o mesmo material e a mesma técnica, mas cada profissional irá conduzir o processo de um modo muito diferente.
O QUE O ARTESANATO OFERECE AO PROCESSO TERAPÊUTICO?
O artesanato é, por natureza, um trabalho que envolve técnica, método, repetição, ritmo no fazer, foco e carrega consigo muitas histórias. Desenvolver estas habilidades a favor do processo terapêutico pode ser a virada de chave em muitos grupos e casos individuais. O artesanato se torna uma ferramenta poderosa nas mãos de um arteterapeuta quando o cliente precisa de estrutura e foco, pois ajuda a acalmar mentes agitadas ao levar a atenção para as mãos e a estabelecer algumas regras neste fazer.
No artesanato, há uma técnica, um modo de fazer, uma tradição por trás que oferece estrutura e segurança. A repetição de gestos (ao fazer tricô ou bordar, por exemplo) determina um ritmo que pode ajudar a trazer a pessoa para o presente e manter o foco, quando conduzida com a intenção voltada mais para o processo (o que é vivenciado no momento) e não para o produto final.
O PRODUTO FINAL IMPORTA?
É crucial quebrar o mito de que "o objeto concluído não importa".
O objeto final confere ao cliente um senso de competência e concretude. É uma prova palpável de sua capacidade de construir, finalizar e persistir, o que fortalece diretamente a autoestima e a autoconfiança. Além disso, não devemos lutar contra o desejo de beleza. Pode ser importante que aquele objeto seja belo: talvez o cliente queira provar algo para si mesmo, presentear alguém especial, ou compartilhar com orgulho aquela conquista. São muitos os motivos para se almejar a beleza, e cabe ao profissional de Arteterapia compreender o significado dessa busca.
ATENÇÃO AOS SINAIS DE ALERTA:
Ainda com relação à busca da beleza, é preciso observar outros aspectos que podem ser limitantes. Um deles seria quando o sujeito paralisa por excesso de perfeccionismo e autocrítica. Outro seria quando a habilidade em fazer bonito não abre brechas para a expressão da dor ou de conteúdos difíceis.
INTEGRANDO O ARTESANATO: A ATUAÇÃO DO ARTETERAPEUTA.
A Arteterapia tem uma relação importante com o Artesanato, e o usamos no nosso dia-a-dia profissional em sessões e em oficinas.
Alguns clientes farão isso de um modo mais espontâneo, sem regras, e outros precisarão de uma orientação prática. Seja como for, o arteterapeuta vai dar a essas práticas novas funções, reconhecendo o valor do artesanato e integrando-o à profissão.
Ao dizer SIM para o artesanato, não estamos transformando a Arteterapia em Artesanato, mas sim acolhendo o conhecimento e a força desta prática como um recurso valioso. O arteterapeuta é o profissional que traz a intenção terapêutica e oferece a escuta necessária ao acompanhar o processo de elaboração dos conteúdos simbólicos presentes neste fazer.
E você, arteterapeuta, me conta aqui nos comentários: que práticas do Artesanato você mais usa nos seus atendimentos e oficinas?
Conteúdo desta série foi produzido com ajuda IA a partir das minhas lives disponiveis nos links abaixo:
Arteterapia não é
https://www.youtube.com/watch?v=HF0zzjwyXSw&t=519s
Arteterapia e Artesanato
https://www.youtube.com/watch?v=kqvchgQwfcw
Arteterapia e Aula de Arte
https://youtube.com/live/0lz1_z1zKP0
Arteterapia e Livros de Colorir
https://youtube.com/live/mUjDsmiPooU
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Em 2021 criou o projeto Arte para Terapia oferecendo cursos online de História da Arte para Terapia.
Membro fundadora do coletivo Arteterapeutas do Rio.





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