ARTE#ARTISTA#ARTETERAPIA

por Flávia Hargreaves
Coordenadora do projeto artes.LOCUS
contato: atelie.locus@gmail.com

Revisão de conteúdo por Regina Diniz

pretobrancocinza#1, óleo sobre tela, 2017. Flávia Hargreaves.

O lugar da arte na arteterapia tem sido o tema central das minhas reflexões sobre a profissão de arteterapeuta. Percebo certa dificuldade em lidar com o termo ARTE, como se ninguém soubesse direito o que fazer com ele. Ao longo dos anos, ouvi muitas críticas ao termo “arteterapia” justamente por causa da utilização da palavra “arte”, já que a arteterapia não se ocupa de questões e valorações próprias desta área, como dizia Nise da Silveira. Frases como “arteterapia não tem nada a ver com arte”, “o arteterapeuta não precisa ser um artista” são comuns, o que expresse, talvez, uma necessidade de se “proteger” da “arte”, enquanto autoriza um certo descompromisso com a mesma. Um sintoma desta situação se confirmou no encerramento do VI Congresso Latino Americano de Arteterapia (Rio de Janeiro, 2017), quando foram divulgados os resultados obtidos na pesquisa, junto aos estudantes, sobre o que era a arteterapia.  Foi constatada a ausência de referência à arte. Mas o que, afinal, a arte reserva de tão assustador e/ou inacessível aos mortais? O que significa ser uma artista? O que nos afasta e o que nos aproxima da arte? Cada um terá as suas respostas particulares e verdadeiras, mas será preciso buscá-las.

montagemflutuante, fotografia, 2017. Flávia Hargreaves.

Quanto a mim, doce ilusão achar que falo de um lugar privilegiado de quem tem as respostas, não tenho! Mas meu movimento é de aproximação, de comprometimento com a arte, e, como arteterapeuta o que me apaixona e mobiliza é justamente a ideia de uma arte aplicada com função terapêutica. Neste sentido, encontrar-se um outro termo para a arteterapia sem a palavra, ARTE, como muitos sugerem diante do desconforto causado por essas questões,  seria uma mutilação.

Na minha busca por respostas, em dado momento, precisei me convocar como artista, me questionar sobre minha produção - Que espécie de artista eu sou? - O quanto estou disponível para um mergulho profundo ... para um exercício exaustivo em busca da materialidade de que preciso para dar forma ao que desejo dizer? ... Fui estudar, trabalhar, desenhar, pintar, escrever ... experimentando os materiais, passeando por eles, mudando de ideia, de técnica e de estilo ... e a cada mudança, a cada escolha, uma morte do que não foi. Também senti necessidade de trocas e contatei velhos amigos mobilizados pela arte e me disponibilizei para tantos outros, novos. Esta interlocução se mostrou fundamental na retomada da minha produção artística. Conversas, muitas on-line, que me levaram tanto a um diálogo interno na busca do que me era essencial, como a abrir os olhos para fora, para os muitos artistas que alimentam as redes sociais.  A arte não está fechada nos museus e galerias, ela está cada vez mais na vida, na rua e SIM no celular, na palma da mão. Tem sido uma experiência incrível poder acompanhar diariamente a produção dessas pessoas. Fica a dica, acompanhem artistas VIVOS no Instagram!

Todo este prólogo tem como objetivo deixá-los instigados e animados para retomar ou iniciar suas produções artísticas e compartilhá-las. Por isso, o blog artes.LOCUS receberá, ao longo de 2018, depoimentos e reflexões de artistas sobre seus processos criativos e questões que hoje os mobilizam acerca da arte, promovendo uma aproximação VIVA entre você, a arte e a arteterapia! Você está convidado(a) a embarcar nessa viagem conosco!

pretobrancocinza#2, em processo, óleo sobre tela, 2017. Flávia Hargreaves.

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Comentários

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  2. Olá!!
    Acho bastante complicado mutilar (como você disse) a palavra arte da terapia. O desenrolar do traço tem um fundamento histórico e psicológico inerente à humanidade. Antes da escrita, nós desenhamos. O mesmo sobre o material ... cada técnica, cada tinta, argila, pincel, suporte; cada um tem uma plasticidade própria, que nos remete inconscientemente à tanta coisa. Seja a lembrança das brincadeiras com o barro ou a ancestralidade do trabalho com o mesmo e nos remetendo a arquétipos tão intensos quanto à Mãe Terra, por exemplo. Ao ignorar todo esse processo, desde a história da arte até o conhecimento da técnica, ao meu ver, o terapeuta perde uma grande ferramenta de acesso ao outro. Afinal, não é só "terapia", é "arteterapia". Se vai usar as ferramentas pertinentes à área, por que ignorá-la? Quantas vezes já fui chamada à atenção para problemas com a auto-estima dos meus alunos, "apenas" com seus desenhos e expressões afins ...

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    1. Olá Mariana. Estamos felizes em vê-la por aqui. Acreditamos na importância do estudo teórico/prático da Arte para a Arteterapia e estamos trabalhando nesse pequeno espaço virtual no sentido de promover a aproximação entre os arteterapeutas e a arte e, quem sabe dos artistas e a arteterapia. Obrigada pelo seu comentário e continue nos acompanhando. \
      Abs. Flávia Hargreaves - coordenadora do projeto artes.LOCUS.

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  3. Quero ser sua seguidora... Parabéns pelo blog!Não entendo de arteterapia, mas curti demais a montagem de foto com você, menininha, dentro do desenho! Beijos, tia Ida. (À propósito de Arte, você já foi ver "A Cara do Rio" no Centro Cultural dos Correios? Vai até 22 de abril. Vamos? Vi as fotos. Vale!
    )

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    1. Olá Ida. A "montagem flutuante", flutuante por não ter sido colada, foi na verdade "encontrada". Abri a mapoteca e a composição estava lá: uma pintura e uma xerox recortada de uma fotografia "flutuando". A composição só está fixa na fotografia, o objeto já se desfez como composição. Em breve teremos aqui a publicação do seu texto "Caminhos da Criação". Abs. Flávia

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